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Encontrei a mãe de uma amiga de colégio, que não me via há mais ou menos dez anos, época que eu ia pra casa dessa coleguinha passar as tardes brincando de queimada. Dei de cara com ela num restaurante japonês. A primeira coisa que ela disse – depois de quarenta segundos sem conseguir me reconhecer – foi: “Nossa! Como você ficou mais alta… e bonita”. Talvez ela quisesse dizer que eu estava mais alta (realmente, cresci muito depois dos doze anos), mas também mais magra. E isso me lembrou, enquanto pagava a conta do almoço, que eu já fui baixinha… E gordinha. E talvez feinha.

Lembrei que nunca fui a mais bonita da sala, e muito menos a mais charmosa e desejada. Eu compensava isso sendo engraçada e sentando no fundão com os meninos. Eu sempre tentei compensar qualquer falta de alguma coisa sendo engraçada. Guardo um pouco disso até hoje. Sempre que eu faço alguma besteira tento fazer piada. Às vezes dá certo. Às vezes não.

Só que para uma menina de 13 anos, tentar ser legal porque não é bonita, deu muito trabalho.
Primeiro porque minha mãe me fazia ir para o colégio de aparelho freio de burro (se você não sabe o que é, pesquise no Google E JAMAIS permita que um dentista bigodudo faça seu filho usar!). A única vantagem nesses ferros externos era que eles tampavam a minha boca e eu era dentuça. Fora isso, foram meses dormindo sem sentir o travesseiro, indo para o colégio emburrada e sendo “zoada” pelo povo do ônibus escolar. Uma vez o escolar freou bruscamente, e meu freio de burro bateu no ferro da cadeira da frente. Não sei como não fiquei com a face modificada. Foi humilhante.

O segundo fato é que se você é legal, senta no fundão e é amiga de homens, provavelmente será ignorada e mal tratada pela patricinha loira que ganha a Barbie antes de você. E isso acontecia. Só que eu não me importava, e xingava muito nos meus diários. Por sorte, foi um incentivo a escrever e ler mais. Então quanto a isso, só tenho a agradecer. Principalmente a Catarina, que hoje pesa quarenta quilos a mais que eu.

A terceira e última lembrança dessa mesma época é o Rafael. Toda menina já se apaixonou por um Rafael. Inclusive, por isso, já compensei o trauma namorando um Rafael muito gato anos depois. O Rafael da sexta série foi minha primeira paixão platônica. Ele era lindo, loiro, do cabelo lisinho. E eu daquele jeito meio torto, de cadarço desamarrado. Mas havia ali uma esperança, que deve ter ficado por ali mesmo. Ele nunca me escolhia pro time dele na queimada. Eu entrava na sala cinco minutos antes só para pegar a carteira de trás da dele e o garoto fingia que eu não existia. Foram quatro semestres inteiros olhando e reparando a nuca daquele menino, que eu seria capaz de contar detalhes dela até hoje.

Eu poderia escrever um livro sobre essa parte da minha infância, e o que veio e mudou depois. Minha adolescência foi muito diferente. Tudo foi driblado com muito bom humor, amigos inteligentes e uma “espichada” que me rendeu 1,65cm e uns quilos que se ajustam a isso sem muitos problemas.
As lembranças que eu tive hoje, depois de encontrar com uma pessoa que ficou lá atrás me renderam umas risadas – e um texto. Deixo aqui registrado meu amor pelos patinhos feios. Admiro o crescimento deles, o jeitinho inteligente e carismático que eles guardam por trás de qualquer característica “diferente” dos populares da escola. Quanto ao aparelho freio de burro, por favor, vamos fingir que vocês não sabem sobre isso.

 

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22 ideias sobre “Minha História: Um brinde aos patinhos feios

  • Stephanie

    Mais uma patinha feia por cá. É, realmente é uma fase da vida estranha… Não curto muito lembrar. Usava óculos e era obesa, o que me rendeu diversos apelidos maldosos e nunca um olharzinho daquele cara maravilhoso (porque obviamente toda patinha feia se apaixonada pelo cisne) haha.
    Na adolescência comecei a ficar bem comigo, mas não sei vocês, comigo a insegurança com a aparência continuou a me assombrar mesmo quando eu já não era mais a patinha feia. Aconteceu com você?

    PS: E nada pior do que a patinha feia que vira cisne e adquiri a personalidade nojenta da patricinha loira esnobe.

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  • Mandy

    Ahhhhhhhhhhhhh Ma, faltou uma foto sua dessa época não acha? hehe Fiquei aqui tentando imaginar como você era…

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  • Juliane Gois

    Lindonaaa, amei o texto.. haha. Apesar de não ter usado nenhum tipo de aparelho e ser uma das mais altas da turma (sempre), eu também nunca fui a mais popular da escola, e nem ao menos da minha sala. Mas eu me divertia muito com minhas amigas. Digo e sempre ouço que o tempo é generoso com a gente!!

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  • Brubs

    Nossa! eu ja usei! realmente a gente dormia sem sentir o travesseiro hahahaha comédia lembrar dessa época, ainda bem que pelo menos só usava ele dentro de casa, minha mae me deixou não usar pra ir a escola haha

    Rafael sempre foi uma problema pra mim na adolescência , mas na infância meu problema maior era O Fernando, paixão platônica mais chatinha essa viu, escrever cartinhas de amor que foram rasgadas por ele na minha frente e ser zoada por sua paixão não é naaaada legal!

    “Ele nunca me escolhia pro time dele na queimada.” fact

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  • Pingback: Acidez Alheia #65 | Acidez Feminina

  • Cacau

    Realmente, sentar no fundão com os garotos e ser a palhaça foram a minha maneira de enfrentar anos de colégio. E reparando bem, ainda que fosse por ser o patinho feio, valeu muito a pena a amizade e as risadas.

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  • Ana Caroline

    E eu que usava óculos e depois começei a usar estes aparelhos( não freio de burro.Ufa!) foram diversos apelidos e no meu caso por eu ser muito magra.
    Ainda bem que muita coisa mudou.Amém!rs

    Beijo Marcella.

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  • Larissa Alves

    Nossa, me identifiquei horrores kkkkkkkk, eu usava esse aparelho freio de burro, óculos, era muito magra e a mais alta da turma (sente o meu drama)!! Beijos, ótimo texto (:

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  • Georgina

    Adorei o texto.Eu também fui um patinho feio,mas diferente de você,foi na adolescência a minha pior fase,era muito magra,pernas fininhas,não usava aparelho,mas tinha os óculos de grau,sofri demais durante essa época,e não era nem um pouco engraçada,tava mais pra turma dos nerds.Ri muito quando li a parte do Rafael,pois também fui apaixonada por um que nem olhava na minha cara direito.Mas o tempo passou,mudei de cidade e quando volto na minha cidade natal,todos falam como eu mudei e estou bonita.Também sinto um grande afeto por patinhos feios!hahahahaha

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  • Camila

    Nossa,bom saber que não fui a única que passei por isso!E que da mesma forma,hoje me sinto bem melhor,feliz com meu corpo,com meu modo de pensar…feliz com os elogios que recebo do sexo oposto! hahaha Super me identifiquei com o post! Parabéns!

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  • Julia Gama

    Eu acho que vou usar eu to com mtt medo mas poder usar esse aparelho so dentro de casa ?? e depois tirar para ir para aa escola sláa

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    • Marcella Autor do post

      Oi Julia, você tem que tirar todas as suas dúvidas com o seu dentista! Ele vai saber te dizer melhor.

      Um beijo!

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      • Alice

        Eu ja fui uma patinha feia , nao usei aquele aparelho igual do seu mas usei um aparelho , so em casa ,sempre davam risada de mim por eu ser feia ,conheci um rafael ,ele e eu namoramos mas ele nao queria dizer a ninguem ,nao me olhava ,nao me escolhia pro time e tal… foi tao dificil ,mas com um tempo eu fui me arrumando ,e agora os meninos so ficam me pedindo em namoro, haha ate o rafael …muito lindoo o texto e agora marcela devo aceitar o pedido de namoro dele????? Me ajudaaa…

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