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– Por que você está estranha?
– Eu não estou estranha.
– Tá sim. Ou você estaria normal e tudo ficaria normal também.
– Por que eu estou estranha?
– Essa foi a minha pergunta.
– Me responde primeiro: por que você acha que eu estou estranha, mesmo quando eu falo que não estou?
– Sendo que na verdade você está?
– Um pouco.
– Sabia. Por que?
– Bobeira minha.
– Se fosse bobeira…
– Você não perceberia.
– Isso.
– Você não fez nada de errado.
– Você fez?
– Não. É a gente.
– O que houve, Laura?
– Isso tudo vai acabar um dia.
– Você quer terminar?
– Não, é exatamente isso… eu não quero.
– Então eu não vejo problema algum. Senta aqui sua maluca, vou dar play no filme.
– Você não tem medo que termine?
– Não, porque eu não penso nisso.
– Mas um dia você vai pensar, ou eu vou pensar, ou a gente vai pensar junto, o que é mais difícil porque tem sempre um que sofre mais. Você tá entendendo, Bruno?
– Estou, mas prefiro ignorar essa maluquice, desse jeito parece que você quer que eu pense em terminar, sendo que eu só estou pensando em dar play no filme antes que eu acabe com toda a pipoca.
– Vou te matar se você acabar com toda a pipoca.
– Então corta esse papo estranho, entra aqui na coberta.
– Você acredita nessa história brega de pra sempre, Bruno?
– Não.
– Nem eu. O que que a gente faz?
– A gente assiste Pulp Fiction pela milésima vez, você adormece no meu ombro no meio do filme, eu encosto minha testa na sua bochecha e adormeço também, a gente acorda assustado e abraçado no sofá às quatro da manhã e amanhã a gente começa tudo de novo.
– Amanhã?
– E todos os outros amanhãs.

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– Ei! Desculpa se falei bobagem, viu?

– Você não falou bobagem. É que rola uma parada. Eu sempre sou tão desvalorizada… Geralmente pelos caras que eu fico, gosto, etc. Dai quando alguém fala assim eu até assusto.

– Eu sempre gostei de você. Quando estudamos juntos e conversávamos, eu te achava uma gracinha. Sempre achei. Seu jeito de falar, rir. Rolava um tesão por você.

– Obrigada?

– Quando começamos a conversar mais, fiquei louco com você. Sonhava todo dia, mesmo. Era você aparecer no Gtalk que eu tinha um trem. Putz, como eu quis ficar com você. Mas, depois disso comecei a te descobrir aos poucos. E foi aí que a coisa desandou.

– Como assim? Ficou ruim?

– Não. Eu quis ser seu porto seguro. Quis contar com você, porque você tem essa coisa de acreditar sempre que tudo pode dar certo, quando eu já achava que nada na minha vida daria certo. Entendeu?

– Um pouco.

– Sua inocência, no melhor sentido possível, me confundia. E eu comecei a achar que poderia ser legal ser o porto seguro de alguém. Quis viajar com você, rir com você, escrever tipo um roteiro de filme mesmo. Quis ter uma vida super8 com você. E te mostrar que você podia contar com alguém e depender de alguém sim. Que você seria prioridade para mim, assim como eu seria para você. Minha vontade era poder te escolher, todos os dias.

– Não sei o que falar, Gabriel…

– Para te amar, namorar, whateaver, acho que foi isso. Meu coração já tinha te escolhido quando eu percebi que era tarde demais.

– Caramba! Me desculpa.

– Não tem do que pedir desculpa. Você merece muito ser prioridade para alguém. Meu Deus, como merece. Eu queria poder aprender com você. E te ensinar que existe vida alem desse seu jeito patricinha hippie.

– Eu não sou assim! Depois de anos, você ainda insiste que eu sou patricinha… É tudo da sua cabeça.

– Claro, faz parte.

– Gabriel… Você já parou para pensar que tudo que você sentiu por mim pode ter sido na sua cabeça? Não deixa de ser bonito, mas pode ter sido.

– Daniela, tudo que eu senti foi o mais real que eu já senti. Sendo imaginário ou não.

– E a sua namorada? É diferente?

– Totalmente. Com você, não foi paixão. Porque paixão a gente sente gosto, cheiro, som, essas coisas. Foi diferente.

– Eu acho que entendi. E isso te atrapalhou?

– Atrapalhou muito! Eu te amo, mesmo, Daniela. E já aceitei que vai ser do meu jeito. Não posso fazer mais nada.

– Ai meu Deus. Gabriel, a gente não se encontra faz muito tempo. Inclusive, tem um vídeo meu, você pode assistir e perceber que nem gosta de mim. Eu emagreci, cortei o cabelo, falo mais devagar…

– Já assisti e te amei mais. Se é que dá, hahaha.

– Meu Deus. Eu te amo também, você sabe. Mas é muito diferente…

– Eu cheguei a compor para você. A ultima vez que eu tinha composto, foi aos 19 anos e acho que já tô me humilhando, né?

– Não, imagina, não tem nada de humilhação nisso. Eu só queria entender.

– Então tá, você tem uma música.

– Que bonito! Mas passou um pouco esse sentimento, não passou?

– Não, e não quero que passe. Escolhi ter isso para sempre. Esse pingos de felicidade.

– Entendi. Mas, acredito eu, que para você seguir, de certa forma tem que passar. Não?

– Não posso te dar nada. Nem você pode me dar. A não ser sempre te admirar e acompanhar. Eu gosto de você pelo que você representa pra mim, sem nada em troca. Tipo amor de cachorro, hahaha. Acho que é a coisa mais descomplicada e forte que senti.

– Descomplicada? Justo por uma pessoa tão complicada? Que irônico.

– Pois é.

– Eu aceito feliz esse sentimento, apesar de não conseguir corresponder. Espero que eu continue na sua vida e que você aceite a maneira que eu posso estar nela. Acho que é só isso que consigo explicar. De resto, sou uma negação.

 

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schhh

Indo buscar meu irmão de 10 ANOS na escola com a minha mãe:

– Eu preciso ir mesmo? Tô louca para ir pra casa.

– Claro que precisa, Marcella. É a primeira semana dele, ele vai amar que a irmã vai tá lá, esperando…

– Ok…

Anos estudando em um colégio pequeno, esse é o primeiro ano do meu irmão num colégio grande e além dele, minha mãe também está se adaptando “muito bem”:

– Putz, combinei dele vir pra essa esquina assim que acabasse a aula, seis e dez.

– Mas são seis e cinco, mãe.

– Pois é, o jeito vai ser parar nessa fila dupla aqui. Odeio fila dupla, mas ó, tô parando. Meu Deus, cadê o Victor. Nossa, olha aquela ali sem noção do perigo, parou na fila dupla e ainda saiu do carro, vou ficar quietinha aqui. Ai, acaba essa aula logo. Nossa, tô aflita dessa fila dupla.

– Faltam três minutos, mãe.

– Todo dia vai ser assim, essa loucura. Sabe a Márcia, minha amiga? Menino dela estuda nesse colégio também e sabe o que ela me disse? Sabe?

– Não…

– Que ela é a RAINHA DA MULTA da fila dupla. Tem umas quinze já. Disse preu ir me acostumando.. Ai, essa fila dupla, esse monte de gente, cadê o Victor, Marcella!

– Tá chegando, mãe…

Enquanto isso, todas as crianças chegam e suas respectivas mães tiram o carro, deixando a minha mãe abandonada na “aventura da fila dupla”.

– Aí, olha ele ali! Ali! Ali!

– Não é o Victor, mãe, é um menino muito maior.

Cinco minutos depois, meu irmãozinho chega…

– E, aí, pipizão, como que tá sendo o colégio novo?

– Tô na pior sala do mundo.

– Por que? Mas só tem dois dias de aula… Não dá pra saber…

– Só tem gente feia. As meninas são todas horrorosas. Tem uma que tem espinha no rosto todo. Mãe, lembra que a professora de matemática era chatíssima? Hoje eu conheci a de inglês e ela é pior…

– Pipi, mas você pode encontrar seus colegas antigos no recreio.

E minha mãe intervém com uma gíria muito atual:

– É, enquanto você estiver merendando…

Ele faz cara de preguiça de nós duas e responde:

– Não dá tempo. Quando eu tô na fila da cantina pra comprar o lanche, já toca o sinal de voltar pra sala… Aiai…

– E como você faz para conversar com os seus amigos do outro colégio?

– Ah, Marcella, muito fácil, né! A gente tem um grupo no Whatsapp.

(E eu fiquei com a cara assim ó:   )

(Mãe, te amo mesmo você sendo geminiana)

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