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É mesmo impressionante como mudei, amigo que me conheceu há dois anos atrás.
Provavelmente porque estou mais adulta, compro o meu próprio papel higiênico e depois do dia 25 do mês junto todas as minhas moedas restantes. Sair da casa dos pais e morar sozinho faz a gente mudar muita coisa da vida para continuar mantendo um padrão que anos atrás era um sonho dourado. Mas você diz que não é só isso, que tem alguma coisa bem diferente em mim.
Será o cabelo? A risada? Engordei um pouquinho? Provavelmente. Troquei de atividade física, comecei a ler uns artigos sobre corrida, meditação e viro o nariz para dietas milagrosas. É que o saudável está na moda e acho isso incrível, já que é para o nosso bem e eu quero viver mais.
Te dizendo por alto, em dois anos devo ter acumulado umas 43 decepções, 89 crises de riso e outras 217 crises de choro. Em cada um desses eventos mudei algo para melhor. É a vida.
Me apareceu um primeiro cabelo branco (esse dia foi muito engraçado) e faz tempo que não coloco os pés naquela boate. Virei frequentadora assídua de uma outra tão legal quanto. Depois fiquei cansada de tanto trabalho e comecei a chamar os amigos para um vinho aqui em casa. Talvez eu volte aquela balada qualquer dia desses. Seria legal se voltássemos juntos, que tal? Relembrar sem julgamentos uma época que a gente viveu deve ser uma delícia.
Meu cachorro morreu, depois eu comprei um peixe e adotei um gato. Agora tenho outro cachorro e não vejo a hora de adotar mais um gatinho. Minha família e meus amigos diminuíram. Continuo com medo de morrer. Minha banda preferida não é mais a minha banda preferida (eles, inclusive, também mudaram e se separaram). Vai entender.
Mudei de emprego várias vezes e tenho passado noites em claro desde que abri meu próprio negócio já pensando no meu próximo próprio negócio. Tempos estranhos esses desde que descobri que quero ser feliz custe o que custar (com tudo custando tão alto).
Não vejo o Bruno desde que você me deu um ombro no término. Não vejo a Camila desde que ela mudou para Barcelona. Continuo pensando nos dois com carinho. Meus sentimentos em relação a situações que passei também mudam o tempo todo. Às vezes eu sinto raiva, depois eu sinto alívio, depois eu sinto distância e depois gratidão. Dizem que essa é a palavra da década. São tantas as palavras do momentos. Me perco em todas essas coisas que mudam junto comigo. Também dizem que estar perdido é bom. Sinal de que é o incômodo que leva a gente pra frente. Você também sente isso?
Quando você diz que perdi um pouco a essência, eu discordo porque ela sempre esteve aqui. A essência é estar em constante mudança. Aprendi tanto com todas as pessoas que cruzaram o meu caminho. Volta e aprende junto comigo também? Nossa, como você também mudou.

escreva perfeito/

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Hoje é dia de coluna nova no Chata!

O dessa semana é uma carta que nunca foi enviada para um ex (que pode ser o meu, o seu ou da sua amiga!). Corre .

Arte do título feita com muito carinho pelo Dizeres Imperfeitos (que sempre ahaza, né?).

escreva perfeito

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Lembro quando a gente beirava os vinte anos e pensava “como será que vamos estar aos 30?”. Olha a gente aqui, quase lá. Quero escrever essa carta porque percebi que não falo muito o quanto você é importante. Preciso que você saiba que é essencial. Sem você, falta um braço.

Já reparou que não temos mais medo do desconhecido? Acho que é porque no fundo sabemos que se algo der errado, temos uma a outra. Deve ser por isso que nos afogamos tantas vezes em paqueras babacas, brigas de família inúteis e garrafas de vinho ruim. Deve ser por isso também que posso ficar dias sem falar com você que está tudo bem. Descobri que éramos grandes amigas quando pedi desculpas por ter sumido uma semana e você respondeu “deixa de ser ridícula”. Com razão. Quando alguém é permanente na nossa vida, mesmo de longe a gente fica perto.

Do seu lado, consigo chorar até ficar vermelha e melequenta, como se estivesse só eu e o meu travesseiro. Quando alguma bad acontece, é só olhar para você que desabo. Porque é como se eu estivesse olhando para o meu próprio coração. Você é aconchego quentinho no peito.
Odeio seus conselhos, porque geralmente estão certos. Vez ou outra você exagera, mas nunca levanta a plaquinha de “eu avisei”. Obrigada por isso.
Tem umas músicas que lembram a gente no reveillon, no carnaval, no meu sítio e no seu carro dançando com as mãozinhas. Sei de cor as suas roupas e meus olhos brilham quando você compra um vestido novo (porque eu sei que posso usar dois meses depois).

Não peço desculpas pelas roubadas que te coloquei. Já compensei todas e ainda vou te colocar em várias. Aquele aniversário estava péssimo, mas o sanduíche de dois andares que comemos depois foi incrível. O aniversário da minha ex sogra também não foi dos melhores, mas vai dizer que o primo do meu ex não era interessante? E o que comentar do dia que você foi embora porque estava cansada e eu te culpei de ter feito a maior besteira? Essas são só algumas que lembro de cabeça.

“Como será que vamos estar aos 60?”. Eu não faço ideia. Um pouco mais enrugadas, envolta da mesa de baralho enquanto os netos não param de correr pela casa? Jantando semanalmente de casal, cada uma com o seu maridão e abrindo garrafas de vinho melhores? Não sei mesmo. Mas, acho que estaremos juntas. Então está tudo bem, né?

Com você eu descobri que não preciso de muitos. Apenas de bons amigos. Obrigada por isso também. O coração fica quentinho porque sabe que existe a segurança de ter você na vida.

escreva perfeito

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